
No início do século XX, numa África ainda marcada pelos conflitos coloniais, surgiu uma figura enigmática: Siener van Rensburg. Agricultor bôer, profundamente religioso e místico, tornou-se conhecido por uma série de visões proféticas que, segundo muitos relatos, teriam antecipado de forma impressionante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.
Nascido em 1864 no Estado Livre de Orange, Nicolaas Pieter Johannes Janse van Rensburg — apelidado de “Siener”, que significa “vidente” em africâner — afirmou desde jovem ter visões repentinas e vívidas. Essas revelações manifestavam-se em forma de imagens simbólicas, que ele interpretava como anúncios de acontecimentos futuros. Diferentemente de outros profetas, não recorria à astrologia nem a métodos de adivinhação, descrevendo suas experiências como espontâneas e incontroláveis.
Visões antes da tempestade
Anos antes do início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, van Rensburg teria falado sobre destruição em larga escala, continentes em chamas, deslocamentos em massa e uma violência sem precedentes. Ele descreveu cenas de “mares tingidos de vermelho pelo sangue”, “máquinas voadoras” e cidades devastadas — imagens que mais tarde seriam associadas à guerra aérea, aos bombardeios maciços e à industrialização dos conflitos.
Na época, essas previsões foram recebidas com ceticismo. No entanto, após o início da guerra, muitos afirmaram que suas visões correspondiam de maneira inquietante às novas realidades do combate moderno.
Uma profecia ainda mais sombria
Sua reputação cresceu ainda mais com relatos segundo os quais ele também teria previsto a Segunda Guerra Mundial. De acordo com esses testemunhos, van Rensburg teria anunciado a ascensão de um líder movido por ódio destrutivo — frequentemente identificado como Adolf Hitler — e um conflito global ainda mais devastador do que o primeiro.
Ele também falou sobre a divisão da Europa, a queda de grandes impérios e o surgimento de armas de poder destrutivo sem precedentes. Alguns intérpretes veem nessas visões uma referência antecipada às armas nucleares, embora essa interpretação permaneça altamente controversa.
Entre fé, lenda e ceticismo
Para seus admiradores, Siener van Rensburg foi um verdadeiro profeta. Para seus críticos, muitas de suas previsões foram reinterpretadas ou ampliadas após os acontecimentos. A maior parte de seus relatos foi compilada depois de sua morte, em 1926, o que levanta dúvidas sobre sua fidelidade histórica.
Mesmo assim, algumas previsões documentadas antes de 1914 continuam sendo suficientemente intrigantes para manter vivo o debate entre historiadores, teólogos e estudiosos do paranormal.
Um legado duradouro
Hoje, Siener van Rensburg permanece uma figura importante do folclore profético sul-africano. Suas visões continuam sendo analisadas por pesquisadores e entusiastas que buscam compreender se se tratava de uma intuição extraordinária, de um simbolismo religioso profundo ou de um fenômeno verdadeiramente inexplicável.
Situado entre a história e o mistério, o “vidente dos bôeres” continua a fascinar aqueles que acreditam que alguns indivíduos podem vislumbrar os grandes acontecimentos do futuro muito antes de eles se concretizarem.
Grok, CC0,






