sábado, 1 de agosto de 2026

O futebolista espanhol Marcos Llorente acredita na teoria dos chemtrails

O futebolista espanhol Marcos Llorente acredita na teoria dos chemtrails

Devia falar de futebol. Acabou por falar do céu. Convocado pelo selecionador Luis de la Fuente para a retoma da fase de qualificação para o Mundial 2026, o médio do Atlético de Madrid Marcos Llorente regressava à Roja depois de mais de um ano de ausência. Mas não foi a sua forma física nem o seu papel no meio-campo espanhol que dominaram a conversa em torno da sua convocatória. Foi mais uma intervenção sobre um dos temas mais controversos do universo conspiracionista contemporâneo: os chemtrails, aquelas estelas brancas deixadas pelos aviões no céu, que alguns continuam a considerar o vetor de uma pulverização química deliberada e ocultada pelas autoridades.

Questionado pelo meio desportivo espanhol El Desmarque, Llorente não fugiu ao tema. «Digo isto de forma muito natural», afirmou, acrescentando: «Quando olhava para o céu, não via estas coisas». Um tom sereno, quase trivial, para uma convicção que o acompanha há vários anos e que, longe de se esbater, parece reforçar-se a cada nova declaração pública.

«Não é normal»: o argumento de um jogador transformado em figura da dúvida

Segundo o que foi noticiado por vários meios espanhóis, Llorente afirma que as estelas hoje observadas no céu ibérico não existiam, ou pelo menos não com esta forma, quando ele era criança. «Não é normal», terá insistido, acrescentando que não é «o único a dizê-lo». Chega mesmo a afirmar que «milhares de pessoas» lhe agradecem, segundo as suas próprias palavras, por ter trazido o tema para o debate público. «Muita gente o diz, e cada vez mais gente o diz», reitera, construindo o seu argumento não sobre provas científicas, mas sobre a ideia de um consenso popular crescente.

Este tipo de argumentação, assente na suposta multiplicação de testemunhos e não numa demonstração verificável, é uma constante nas teorias da conspiração ligadas à aviação e à geoengenharia. Apoia-se num viés cognitivo bem documentado pelas ciências sociais: a convicção de que a frequência percebida de uma opinião partilhada garante a sua validade, independentemente dos dados objetivos disponíveis.

Génese de um mito: de onde vêm os chemtrails?

A teoria dos chemtrails, contração de «chemical trails», tem as suas raízes nos Estados Unidos dos anos 1990. Cristalizou-se, em particular, em torno de um documento da Força Aérea dos EUA intitulado «Weather as a Force Multiplier: Owning the Weather in 2025», publicado em 1996 no âmbito de um exercício académico prospetivo sobre os futuros usos militares da meteorologia. Esse texto, sistematicamente retirado do seu contexto académico pelos defensores da teoria, tornou-se uma das provas favoritas de um movimento que afirma que os longos rastos de condensação deixados pelos aviões comerciais a grande altitude não são um simples fenómeno físico, mas o resultado de uma pulverização intencional de substâncias químicas ou biológicas, com finalidades que vão do controlo climático à manipulação demográfica.

Perante esta teoria, a comunidade científica é unânime há mais de duas décadas. As estelas observadas, cientificamente designadas «contrails» (rastos de condensação), resultam de um fenómeno físico perfeitamente documentado: a condensação, seguida de cristalização, do vapor de água presente nos gases de escape dos reatores ao entrarem em contacto com o ar frio das grandes altitudes. Um estudo internacional coordenado em 2016, que reuniu 77 especialistas em atmosfera de dezanove países e foi publicado na revista Environmental Research Letters, já tinha concluído que 76 amostras de poeira atmosférica analisadas não apresentavam qualquer prova de um programa clandestino de pulverização, constatando ainda que a persistência de certas estelas em ar húmido de grande altitude explica plenamente os padrões em grelha frequentemente citados como prova pelos defensores da teoria.

Um desportista, uma caixa de ressonância

O que distingue o caso Llorente de uma simples opinião partilhada nas redes sociais é a caixa de ressonância que o desporto de elite representa. Aos 31 anos, o internacional espanhol, formado nas escolas do Real Madrid antes de se transferir para o Atlético em 2019, goza de uma notoriedade considerável num país onde o futebol ocupa um lugar central na vida pública. As suas palavras, ditas dentro ou fora do relvado, chegam a um público vasto e heterogéneo, muito além dos círculos habitualmente recetivos às teses conspiracionistas.

Aliás, esta não é a primeira incursão do jogador num estilo de vida marcado pela desconfiança em relação às instituições científicas e médicas convencionais. Llorente também já falou publicamente do seu hábito diário de adicionar manteiga ao café, que apresenta como benéfico para o organismo, bem como da sua prática assídua de terapia com luz vermelha, ao ponto de ter lançado o seu próprio negócio de venda de lâmpadas infravermelhas. O jogador explica que organiza os seus dias em torno da exposição solar e, depois do anoitecer, do uso exclusivo de iluminação vermelha e infravermelha em toda a sua casa, de modo a reproduzir, segundo ele, as condições luminosas mais próximas do crepúsculo natural.

Citação

«Muita gente o diz, e cada vez mais gente o diz. Não é normal.»

— Marcos Llorente, entrevista ao El Desmarque, julho de 2026

O desporto face à desinformação: um terreno escorregadio

O caso Llorente não é um facto isolado no panorama desportivo internacional. Figuras vindas de disciplinas tão diversas como o ténis, o basquetebol norte-americano ou o râguebi emprestaram, nos últimos anos, a sua notoriedade a teses próprias da desinformação científica, seja sobre a forma da Terra, as vacinas ou, precisamente, os chemtrails. As federações desportivas, incluindo a Real Federação Espanhola de Futebol, encontram-se recorrentemente desarmadas perante este tipo de posicionamentos individuais, que não se enquadram em nenhum quadro disciplinar clássico mas que colocam, uma vez mais, a questão da responsabilidade pública dos desportistas de elite.

O selecionador Luis de la Fuente, concentrado na preparação do grupo para os próximos jogos de qualificação para o Mundial 2026, não comentou publicamente, até ao momento, as declarações do seu jogador. A Roja, por seu lado, prossegue a sua preparação, enquanto o panorama mediático espanhol volta a interrogar-se sobre a crescente porosidade entre a notoriedade desportiva e a difusão de teorias não verificadas.

Uma crença que persiste apesar dos desmentidos

Várias sondagens de opinião realizadas na Europa e nos Estados Unidos ao longo da última década revelaram a persistência de uma minoria significativa da população convencida, em diferentes graus, da realidade de um programa clandestino de pulverização atmosférica. Esta persistência intriga os investigadores em sociologia das crenças, que a interpretam não tanto como um problema de falta de informação, mas como reflexo de uma desconfiança mais ampla em relação às instituições científicas, governamentais e mediáticas. Neste contexto, a voz de uma figura pública apreciada e respeitada, como pode ser um internacional espanhol que milita num dos grandes clubes do país, atua como um poderoso vetor de legitimação, independentemente da total ausência de fundamento empírico da tese defendida.

Marcos Llorente, por seu turno, não mostra qualquer sinal de recuar. Assumindo plenamente as suas posições, mesmo no quadro oficial de uma concentração da seleção nacional, ilustra à sua maneira uma tendência de fundo: a de desportistas que, apoiados na sua popularidade, optam por usar a sua tribuna mediática para defender convicções pessoais muito afastadas do consenso científico, esbatendo assim a fronteira entre o desempenho desportivo e o discurso militante.

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Uma profecia apocalíptica para 2026-2027 viraliza no X: o que ela realmente afirma?

Uma profecia apocalíptica para 2026-2027 viraliza no X: o que ela realmente afirma?

Uma publicação que circula na rede social X chamou a atenção ao afirmar que revela uma série de acontecimentos dramáticos que supostamente ocorrerão entre 2026 e 2027. Compartilhado pela conta @Gdams70T, o texto apresenta o que descreve como uma «profecia urgente» atribuída a um jovem chamado Jesús López, que teria anunciado a chegada do fim dos tempos.

A mensagem incentiva os usuários a traduzirem e compartilharem o conteúdo em todo o mundo antes de uma suposta censura. No entanto, não existe nenhuma evidência de que essas afirmações sejam baseadas em informações verificadas. Trata-se de crenças religiosas, interpretações místicas e especulações apocalípticas.

A «Tríade da Perversão»

A primeira parte da mensagem apresenta o que chama de «Tríade da Perversão».

Segundo essa suposta profecia, três personalidades conhecidas teriam um papel central nos acontecimentos do fim dos tempos:

  • Elon Musk seria identificado como Satanás.
  • Jared Kushner seria apresentado como o Anticristo.
  • MrBeast representaria a Besta descrita no Livro do Apocalipse.

A publicação não apresenta nenhuma prova que sustente essas acusações, que pertencem ao campo das interpretações religiosas e não dos fatos comprovados.

Uma nova pandemia mundial em 2027

O texto afirma em seguida que uma nova pandemia devastadora começaria entre janeiro e abril de 2027.

O vírus mencionado seria um norovírus, um agente patogênico real conhecido por causar surtos de gastroenterite. Segundo a publicação, esse vírus se espalharia durante a Copa do Mundo de Futebol de 2026, provocando uma catástrofe sanitária semelhante à Peste Negra.

Até o momento, nenhuma autoridade de saúde internacional anunciou um cenário desse tipo, e não há evidências científicas que sustentem essa previsão.

A destruição de grandes cidades

A suposta profecia continua com uma série de catástrofes globais.

Ela afirma que Nova York, associada à «Babilônia» bíblica, assim como São Paulo e o Havaí, seriam destruídos. A mensagem atribui esses acontecimentos ao Leviatã, uma criatura mitológica mencionada em diversos textos religiosos.

O texto também prevê que São Francisco seria atingida por um megatsunami histórico, com ondas chegando a 32 metros de altura.

Atualmente, não existe nenhuma evidência científica que confirme esses eventos nem qualquer previsão oficial indicando que eles irão acontecer.

Os gigantes do Eufrates

Uma das afirmações mais extraordinárias da publicação envolve os chamados «gigantes do Eufrates».

Segundo o texto, anjos caídos que estariam presos sob o rio Eufrates seriam libertados em breve e apareceriam na Terra na forma de gigantes.

Essa ideia está relacionada a determinadas interpretações de textos bíblicos e tradições religiosas, mas não possui qualquer comprovação histórica ou científica.

Um apelo mundial para espalhar a mensagem

A publicação termina incentivando os usuários a traduzirem a suposta profecia para todos os idiomas, com o objetivo de alertar a humanidade.

Também pede que as pessoas salvem a publicação para verificar as datas anunciadas e compartilhem o conteúdo antes de uma suposta censura. Esse tipo de argumento aparece frequentemente em conteúdos conspiratórios, criando uma sensação de urgência e incentivando a divulgação em massa.

Entre profecia religiosa e viralização na Internet

As previsões sobre o fim do mundo existem há séculos e ganharam ainda mais alcance com a chegada da Internet e das redes sociais. Muitas misturam referências bíblicas, símbolos religiosos, acontecimentos políticos, desastres naturais e figuras públicas para criar narrativas apocalípticas.

A suposta profecia atribuída a Jesús López segue esse padrão. Embora tenha gerado inúmeras reações nas redes sociais, não existe atualmente nenhuma evidência que confirme suas previsões.

Como acontece com qualquer conteúdo viral e extraordinário, é importante diferenciar crenças pessoais, interpretações espirituais e informações comprovadas por fontes confiáveis.

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