Em novembro de 1996, durante a missão STS-80 do ônibus espacial Columbia, os astronautas fotografaram um objeto não identificado em órbita baixa da Terra. O objeto aparece próximo ao centro da imagem, à direita do limbo terrestre, destacando-se claramente contra o fundo escuro do espaço.
Sua forma incomum e a ausência de uma explicação oficial detalhada levantaram muitas questões ao longo dos anos. Alguns acreditam que possa se tratar simplesmente de um fragmento de lixo espacial ou de um efeito fotográfico, enquanto outros sugerem que poderia ser um fenômeno anômalo não identificado (UAP). Na ausência de evidências conclusivas sobre sua origem, a imagem continua sendo uma das fotografias mais intrigantes registradas pela NASA durante a missão STS-80.
Légende - Photo U.S.G., Public Domain, https://www.war.gov/ufo/#NASA-UAP-D030-STS-80-Unidentified-Object-Image-1-1996
Há objetos que, segundo se diz, trazem azar a quem os manuseia sem cuidado. A tábua Ouija, velha companheira das sessões espíritas popularizada no final do século XIX, acaba de oferecer mais uma prova disso — não em uma sala mal-assombrada nem em um cemitério isolado, mas nas dependências bastante prosaicas do Departamento de Polícia de Moses Lake, no estado de Washington. Na sexta-feira passada, no fim da tarde, um morador do quarteirão 1100 da East Nelson Road denunciou que seu veículo havia sido arrombado durante sua ausência. O rádio fora arrancado do painel, chaves da residência e vários medicamentos controlados haviam desaparecido — e junto com eles, uma tábua Ouija.
Foi justamente esse último detalle, aparentemente trivial, que acabaria por selar o destino da suspeita.
O acaso, a memória de um policial e uma tábua viajante
Mais cedo naquele mesmo dia, o oficial Isaac Taylor, do Departamento de Polícia de Moses Lake, tivera um encontro de rotina com uma mulher que carregava uma tábua Ouija dentro de uma sacola — um objeto incomum o bastante para ficar gravado na memória de um policial em patrulha. Quando o boletim de ocorrência chegou algumas horas depois, mencionando uma tábua Ouija entre os itens roubados, o oficial Taylor se lembrou do encontro anterior. Ele localizou a mulher, mais tarde identificada como Tasha Marie Wehrli, de 36 anos, nas proximidades de Pioneer Way e Riviera Avenue.
Uma revista confirmou as suspeitas: não apenas a tábua Ouija ainda estava em seu poder, mas também os demais itens denunciados como roubados do veículo. Segundo o comunicado do departamento de polícia, Wehrli teria então tentado fugir, antes de ser contida e presa sem maiores incidentes.
Uma lista de acusações considerável
Tasha Marie Wehrli foi encaminhada à cadeia do condado de Grant sob diversas acusações: invasão de veículo em segundo grau (vehicle prowling), furto em terceiro grau, posse de medicamento controlado (legend drug) sem receita válida, dano malicioso em terceiro grau e resistência à prisão. Segundo a legislação do estado de Washington, a invasão de veículo em segundo grau é classificada como contravenção grave (gross misdemeanor), com pena máxima de até um ano de prisão; a lei nem sequer exige que algo tenha sido efetivamente subtraído do veículo para que o delito se configure — basta a simples intenção de cometer um crime em seu interior.
A tábua Ouija, um objeto carregado de história — e de superstição
Longe de ser uma simples curiosidade de brechó, a tábua Ouija pertence a uma longa tradição americana de suposta comunicação com o além. Comercializada pela primeira vez em 1890 sob o nome de "Ouija", e popularizada nas décadas seguintes pelo fabricante William Fuld, ela se tornou o próprio símbolo da sessão espírita doméstica, numa época em que o movimento espírita — nascido do fenômeno das irmãs Fox em Hydesville, em 1848 — gozava de considerável popularidade nos Estados Unidos. Usada tanto como jogo de salão familiar quanto como ferramenta de adivinhação séria, a tábua carregou ao longo dos séculos XX e XXI uma reputação turva: alguns a consideram um simples jogo de tabuleiro impulsionado pelo efeito ideomotor — aquele movimento muscular inconsciente que, segundo muitos psicólogos, explicaria o deslocamento da planchette sem qualquer intervenção sobrenatural —, enquanto outros continuam a vê-la como uma porta, por vezes perigosa, para o invisível.
Quer se incline para a explicação racional, quer para a tese paranormal, o episódio de Moses Lake alimenta um folclore muito particular: o dos objetos roubados que, de uma forma ou de outra, acabam se voltando contra o próprio ladrão.
As superstições do submundo criminal
Existe, na cultura popular americana, uma ideia persistente segundo a qual os criminosos formariam um grupo particularmente supersticioso — observação que se deve, entre outras coisas, à mitologia do justiceiro mascarado de Gotham City, mas que encontra também um eco mais sério entre criminologistas que estudam os rituais e crenças próprios dos círculos delituosos. Ao publicar os detalhes da prisão nas redes sociais, o Departamento de Polícia de Moses Lake não deixou de assinalar a ironia da situação: um objeto tradicionalmente destinado a revelar verdades ocultas acabou, neste caso, desempenhando um papel bem concreto na revelação da identidade de uma suspeita.
"Muitos dizem que os criminosos formam um grupo supersticioso. Neste caso, parece que o velho ditado se confirmou da maneira mais literal possível."
O que diz o comunicado oficial
O trecho abaixo reproduz fielmente, em tradução, o relato divulgado pelo Departamento de Polícia de Moses Lake sobre as circunstâncias da prisão:
"Na sexta-feira à tarde, os agentes responderam a um chamado de invasão de veículo no quarteirão 1100 da East Nelson Road. O rádio havia sido arrancado do painel; chaves da residência e vários medicamentos controlados haviam sido levados, junto com uma tábua Ouija. Mais cedo naquele dia, o oficial Isaac Taylor havia abordado uma mulher, mais tarde identificada como Tasha Marie Wehrli, que carregava uma tábua Ouija em uma sacola. Lembrando-se do encontro, ele a localizou nas proximidades de Pioneer Way e Riviera Avenue. Uma revista permitiu recuperar a tábua junto com os demais itens denunciados como roubados. Wehrli foi encaminhada à cadeia do condado de Grant sob acusações de invasão de veículo em segundo grau, furto em terceiro grau, posse de medicamento controlado, dano malicioso em terceiro grau e resistência à prisão."
Em 5 de agosto de 1953, pouco depois do anoitecer, a base aérea de Ellsworth, então uma das instalações mais sensíveis do Comando Aéreo Estratégico em Dakota do Sul, tornou-se palco daquilo que o capitão Edward J. Ruppelt, primeiro diretor do Projeto Blue Book, viria a chamar de «o melhor relato de OVNI já registrado nos arquivos da Força Aérea». Em poucas horas, operadores de radar militares, pilotos de caça e cerca de quarenta e cinco civis chegariam à mesma conclusão inquietante: algo sobrevoava os céus de Dakota do Sul, e esse algo não obedecia a nenhuma lei conhecida da aeronáutica.
O alerta de Blackhawk
Tudo começa em Blackhawk, pequena localidade a cerca de dezesseis quilômetros a oeste da base. A senhora Phyllis Kellian (por vezes grafada «Killian» em fontes secundárias), observadora voluntária do Ground Observer Corps — essa rede civil encarregada de vigiar a chegada de eventuais bombardeiros inimigos em plena Guerra Fria —, avista uma luz vermelha intensa, baixa no horizonte a nordeste, por volta das oito da noite. Imóvel a princípio, a luz desloca-se subitamente trinta graus, dispara na vertical e retorna à posição original antes de seguir a grande velocidade em direção a Rapid City. Treinada no procedimento, a senhora Kellian relata imediatamente o avistamento e é colocada em contato direto com o controlador de radar de plantão em Ellsworth.
Confirmação por radar e a primeira decolagem
O oficial de plantão detecta de imediato um eco sólido e nítido em sua tela, estacionário a 16.000 pés de altitude, exatamente onde a senhora Kellian situa a luz. Três aviadores são enviados para o exterior e confirmam visualmente uma luz que se desloca de norte a sul em alta velocidade. Às 20h24, o tenente John W. Stockham, em patrulha de combate a bordo de um F-84D Thunderjet, é desviado para a área. Ele avista uma luz prateada «mais brilhante do que qualquer estrela» e inicia sua aproximação. Mas, ao se aproximar a cerca de cinco quilômetros, o objeto acelera bruscamente para noroeste, mantendo obstinadamente a distância.
Uma perseguição de cento e vinte milhas
A perseguição prossegue por quase cento e vinte milhas (cerca de 190 quilômetros), com o objeto e o F-84 cruzando para Dakota do Norte sob a vigilância ininterrupta do radar terrestre, que acompanha sem pausa os dois ecos. Com o combustível se esgotando, o piloto é obrigado a regressar. Mais tarde, confessaria a Ruppelt ter ficado «extremamente aliviado» por estar ficando sem combustível, dado o quanto era inquietante estar sozinho, à noite, sobre uma região tão desolada, perseguindo algo que simplesmente não conseguia alcançar.
O controlador de radar, por sua vez, recordaria a extraordinária serenidade que aquela noite lhe exigiu. Segundo o relato que deu depois a Ruppelt, o objeto parecia dotado de uma espécie de sistema de alerta automático ligado à sua propulsão: cada vez que o caça se aproximava a menos de cinco quilômetros, o alvo «acelerava automaticamente e retomava a dianteira» — um comportamento de manutenção de distância que se tornaria um dos aspectos mais estudados do caso.
O segundo interceptador e a mira de radar travada
De volta à base, o F-84 de Stockham cruza com um segundo aparelho já em alerta: os pilotos do esquadrão, tendo acompanhado as comunicações por rádio, recusavam-se a acreditar. Um deles, veterano da Segunda Guerra Mundial e da Coreia, insiste em decolar também. O tenente David K. Needham assume os comandos. Ao subir a 15.000 pés, avista o objeto abaixo e à sua direita: uma luz que muda de branco para verde, movendo-se de forma errática. Needham sobe até 26.000 pés em sua perseguição. Segundo seu relatório oficial, redigido por escrito nos dias seguintes, ele aciona sua mira de radar de tiro — não para abrir fogo, mas para confirmar a solidez do objeto. A luz de travamento acende e permanece ativa durante toda a perseguição, um detalhe que a Força Aérea atribuiria mais tarde a uma falha técnica, embora nenhum registro de manutenção do equipamento tenha sido encontrado nas semanas seguintes.
O veredito de Blue Book e a dúvida que persiste
O astrônomo J. Allen Hynek, então consultor científico do Projeto Blue Book, mostrou-se a princípio convencido da realidade material do fenômeno, escrevendo em novembro de 1953 ao capitão Charles A. Hardin que «objetos sólidos são certamente indicados pelas evidências». O caso seria reexaminado mais tarde pelo Relatório Condon, em 1968, cujos investigadores propuseram uma explicação baseada na propagação anômala das ondas de radar, causada por uma inversão térmica: o eco do objeto não passaria, segundo essa teoria, de um artefato do próprio eco radar do F-84. Contudo, essa hipótese não consegue explicar por que o eco permaneceu nítido e distinto do avião durante as cento e vinte milhas de perseguição, até sair do alcance do radar sobre Dakota do Norte. Para Ruppelt, no fim das contas, o caso de Ellsworth permaneceria, à falta de explicação melhor, oficialmente não identificado.
«O controlador o viu começar a se mover, a observadora o viu se mover, e o piloto o viu se mover — os três, no mesmo instante.» — Capitão Edward J. Ruppelt, ex-diretor do Projeto Blue Book
Documento de arquivo: relatório do tenente David K. Needham (trecho traduzido)
Trecho traduzido do relatório oficial AF Form 112-Part I, datado de 5 de agosto de 1953, proveniente dos arquivos desclassificados da Força Aérea dos Estados Unidos:
«Às 21h15, horário-padrão das Montanhas Rochosas, de 5 de agosto de 1953, decolei a bordo de um F-84 para realizar uma patrulha aérea de combate. Aproximadamente três minutos depois, contatei por rádio o controle Grady. Grady informou-me que o Ground Observer Corps havia avistado um objeto voador (uma luz) a nordeste de Black Hawk, Dakota do Sul. Grady solicitou que eu investigasse o objeto, sem conseguir fornecer informações sobre sua velocidade, rumo ou altitude. Após fazer três solicitações a Grady para obter um vetor rumo às imediações de Black Hawk, finalmente avistei o que parecia ser o objeto. No momento da detecção, eu seguia um rumo de 330 a partir da base de Ellsworth, a 15.000 pés de altitude. O objeto encontrava-se aproximadamente trinta graus à minha direita, e parecia seguir uma trajetória paralela à minha, em altitude inferior. O objeto era uma luz de intensidade variável, que alternava entre branco e... [documento parcialmente ilegível]. Quanto ao tamanho exato dessa aeronave, é difícil precisar, mas considerando a altitude em que parecia se encontrar, e a julgar por sua posição aparente em relação ao relevo circundante, eu diria que media entre seis e nove metros de diâmetro. Digo isso pelos poucos segundos durante os quais pude observar essa aeronave; também consegui ver seu rastro.»
Légende - Photo Dual Freq, Public domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1866883
Passa pouco da uma da manhã do dia 31 de março de 1993 quando os telefones do Ministério da Defesa britânico começam a tocar sem parar. Em poucas horas, mais de uma centena de testemunhas espalhadas pelo oeste da Inglaterra — entre elas numerosos policiais e militares em serviço ativo — relatam ter visto objetos luminosos deslocando-se pelo céu noturno a uma velocidade impressionante. O caso, que ficaria conhecido nos anais como o "Incidente de Cosford", tornar-se-ia um dos dossiês ovni mais minuciosamente documentados já tratados pelas autoridades britânicas.
Foi Nick Pope, então responsável pelo "setor dos ovnis" (o conhecido Sec(AS)2a) dentro do Ministério da Defesa, quem herdou a investigação. Segundo o seu próprio relato,"os telefones não paravam de tocar"quando chegou à sua mesa na manhã do dia 31, com os relatórios da noite anterior já acumulados diante dele.
Sobre as colinas de Somerset, "como dois Concorde unidos"
O primeiro depoimento marcante vem das Quantock Hills, em Somerset, onde um policial que acompanhava um grupo de escoteiros descreve um objeto triangular deslizando pelo céu a grande velocidade. Sua descrição, hoje célebre, comparava a forma avistada a dois aviões supersônicos Concorde voando lado a lado, como se estivessem soldados um ao outro. Logo depois, novos relatos chegaram da Cornualha, de Devon e das West Midlands, desenhando uma onda de avistamentos que parecia varrer todo o sudoeste da Inglaterra em questão de poucas horas.
RAF Cosford: duas luzes brancas "em grande velocidade"
Foi justamente sobre a base aérea de RAF Cosford, em Shropshire, que ocorreu o avistamento que daria nome a todo o caso. Uma patrulha da polícia militar da RAF relatou ter visto passar, a uma altitude estimada de cerca de 300 metros, duas luzes de um branco cremoso acompanhadas de um leve brilho avermelhado na parte traseira. O relatório oficial da polícia aérea, classificado como "Police In Confidence" (confidencial policial), destacava a velocidade extrema do objeto e seu silêncio absoluto — duas características que, segundo as testemunhas, excluíam qualquer aeronave convencional conhecida.
RAF Shawbury: um feixe de luz que "parecia procurar algo"
Pouco mais de uma hora depois, foi a vez da base vizinha de RAF Shawbury tornar-se palco de uma observação ainda mais espetacular. O oficial meteorológico de plantão, a quem Nick Pope nunca identificou publicamente por respeito ao seu anonimato, descreveu um objeto do tamanho aproximado de um avião de transporte C-130 ou de um Boeing 747, deslocando-se lentamente — a não mais de 50 quilômetros por hora — em direção ao perímetro da base. A aeronave projetou então um feixe de luz semelhante a um laser, que varria o solo de um lado a outro como se "estivesse procurando algo". Ouvia-se ainda um zumbido grave e contínuo, quase tão perceptível ao tato quanto ao ouvido. De repente, a luz se apagou e o objeto se afastou a uma velocidade vertiginosa, deixando a testemunha — homem habituado a observar aeronaves militares — completamente desconcertado.
O radar permanece mudo, a Defesa se inquieta
É intrigante que nem RAF Shawbury nem RAF Cosford tenham conseguido detectar o menor eco de radar no momento dos avistamentos. Em seu relatório oficial dirigido aos superiores, Nick Pope chegou a escrever que um objeto não identificado, de origem desconhecida, parecia ter operado na região de defesa aérea do Reino Unido sem ser detectado, o que, em suas próprias palavras, revestia-se de importância considerável para a defesa, justificando uma investigação mais aprofundada. O Ministério chegou até a consultar oficialmente as forças armadas norte-americanas para saber se os aparelhos avistados pertenciam às suas próprias forças — um gesto pouco habitual, revelador da seriedade com que o assunto foi tratado nos bastidores.
A hipótese dos destroços espaciais: uma explicação que divide opiniões
Nem todas as explicações apontam, porém, para o extraordinário. Na noite de 30 de março de 1993, a Comunidade dos Estados Independentes — herdeira da URSS — havia colocado em órbita um satélite de rádio por meio de um foguete cujo estágio propulsor se desintegrou ao reentrar na atmosfera. As trajetórias calculadas por simulação computacional para a queda desses destroços coincidem, segundo alguns pesquisadores, com diversos relatos de "luzes brilhantes" registrados naquela mesma noite. Jenny Randles, figura de destaque da British UFO Research Association, chegou a sugerir que o depoimento do oficial meteorológico de Shawbury poderia ser explicado não por uma aeronave extraordinária, mas pela passagem de um helicóptero policial — possibilidade que a própria testemunha viria a considerar mais seriamente com o passar dos anos.
Um dossiê que, trinta anos depois, se recusa a fechar
Apesar dessas pistas mais prosaicas, o Incidente de Cosford continua a dividir pesquisadores e céticos por igual. O próprio Nick Pope tem sustentado, há décadas, que nenhuma explicação dá conta da totalidade dos depoimentos recolhidos naquela noite, em especial do feixe de luz e do zumbido descritos em Shawbury. Seus críticos, por sua vez, apontam incoerências na cronologia que ele apresentou ao longo dos anos, sobretudo o intervalo de mais de uma hora que separa os avistamentos de Cosford e Shawbury, difícil de conciliar com a ideia de uma mesma aeronave deslocando-se de uma base a outra. O Ministério da Defesa britânico tornou públicos, desde então, todos os dossiês relativos àquela noite de 30 para 31 de março de 1993, afastando-se de sua postura tradicional segundo a qual os ovnis não representavam "nenhum interesse para a defesa".
"Parece que um objeto não identificado, de origem desconhecida, esteve operando na região de defesa aérea do Reino Unido sem ser detectado por radar; isso pareceria revestir-se de importância considerável para a defesa, e recomendo que se aprofunde a investigação." — Relatório de Nick Pope ao Ministério da Defesa, abril de 1993
Trecho traduzido do relatório da polícia aérea de RAF Cosford
"A patrulha observou duas luzes de um branco cremoso, acompanhadas de um leve brilho vermelho na parte traseira, que cruzaram o espaço aéreo da base em grande velocidade, a uma altitude estimada de cerca de 300 metros. Não se ouviu qualquer ruído de motor. Novas averiguações junto a outras bases militares, aeroportos civis e à polícia local revelaram diversos avistamentos civis condizentes na mesma região e durante o mesmo período." — Relatório da polícia da RAF, classificado Police In Confidence, março de 1993 (tradução)
Entre 1982 e 1986, vários milhares de moradores do condado de Westchester, no estado de Nova York, relataram o aparecimento recorrente de um imenso objeto silencioso, em forma de V ou de bumerangue, deslizando a baixa altitude sobre a rodovia Taconic Parkway. Nem os investigadores da época nem as autoridades chegaram a explicar completamente o fenômeno.
Uma véspera de Ano Novo fora do comum
Segundo os arquivos reunidos pelos primeiros investigadores, tudo começou na noite de 31 de dezembro de 1982, poucos minutos antes da meia-noite. Um policial aposentado, sentado no quintal de sua casa na cidade de Kent, avistou ao sul um conjunto de luzes vermelhas, verdes e brancas. A princípio, pensou tratar-se de um avião em situação de emergência. Mas o objeto passou sobre sua casa a uma altura que ele mesmo estimou em cerca de 150 metros, movendo-se de forma lenta e silenciosa demais para uma aeronave convencional — acompanhado apenas por um zumbido grave e distante. Ao observá-lo com atenção, o homem distinguiu uma fuselagem triangular escura ligando as luzes dispostas em forma de V.
Esse relato isolado passou quase despercebido durante meses. Seria preciso esperar até o inverno seguinte para que o caso ganhasse uma dimensão completamente diferente.
A noite de 24 de março de 1983: a central telefônica de Yorktown sobrecarregada
Uma semana depois de o vice-xerife Dennis Sant ter avistado, perto de Brewster, um objeto metálico e escuro que descreveria como «uma cidade de luzes», os relatos voltaram a se multiplicar. Em 24 de março de 1983, um ex-policial avistou novamente a formação em V, desta vez acompanhada de um zumbido mais perceptível. Na mesma noite, o engenheiro de informática da IBM Ed Burns dirigia pela Taconic Parkway perto de Millwood quando o rádio de seu carro começou a chiar; ele parou no acostamento, junto com dezenas de outros motoristas, para observar o que mais tarde descreveria como uma gigantesca «nave triangular» completamente silenciosa.
Em Yorktown, as ligações chegaram em tal quantidade que a central telefônica da polícia local quase entrou em colapso, a ponto de as autoridades temerem não conseguir atender emergências reais. Dois policiais presentes no local ao mesmo tempo deram, no entanto, descrições contraditórias: um falava de uma massa única portando várias luzes, o outro descrevia uma formação cerrada de pequenos aviões — uma divergência que alimentaria o debate sobre a verdadeira natureza do fenômeno por anos a fio.
Uma investigação científica é organizada
Em 26 de março de 1983, o jornal Westchester-Rockland Daily Item publicou na primeira página uma matéria que se tornaria célebre, com a manchete: «Centenas afirmam ter visto um OVNI». O artigo chamou a atenção de um grupo de pesquisadores independentes ligados a J. Allen Hynek, ex-consultor científico da Força Aérea dos Estados Unidos nos projetos Sign, Grudge e Blue Book, e fundador do Center for UFO Studies. Ao lado do astrônomo, o professor e investigador Philip J. Imbrogno assumiu a liderança do trabalho de campo.
A equipe montou uma linha telefônica dedicada e recebeu mais de trezentas ligações em uma única noite, apenas na data de 24 de março. Uma testemunha, citada mais tarde no livro do grupo, resumiu a impressão geral em uma frase que se tornaria célebre entre os pesquisadores do caso: se algo como uma cidade voadora existisse, era exatamente isso que o objeto parecia ser naquela noite. Os resultados dessa investigação foram finalmente publicados por Hynek, Imbrogno e o jornalista Bob Pratt em Night Siege: The Hudson Valley UFO Sightings, que continua sendo hoje a referência documental sobre o caso.
Um único objeto, ou dezenas de pilotos brincalhões?
Diante da magnitude dos relatos, a explicação mais comumente oferecida foi a de uma pegadinha: um grupo de pilotos amadores voando em formação cerrada a bordo de ultraleves, com luzes piscantes acesas, para simular uma única nave. A teoria encontrou uma confirmação parcial e sombria na noite de Halloween de 1984, quando um pequeno avião pousou no aeródromo de Stormville — um dos pontos de passagem recorrentes do objeto — e seu piloto foi detido por um policial estadual que suspeitava de seu envolvimento na encenação. O homem negou qualquer participação e nunca chegou a ser formalmente acusado, mas o relatório redigido pelo policial naquela noite se tornaria, aos olhos dos céticos, a principal prova da explicação racional.
O próprio Imbrogno rejeitou, no entanto, essa leitura única dos fatos. Ele argumentou que o objeto havia sido avistado bem antes de esses voos noturnos em formação começarem, e que testemunhas que presenciaram várias aparições distintas relatavam diferenças nítidas entre elas — algumas correspondendo à descrição de um aparelho único e rígido, outras, mais tardias, à de um enxame de pequenas aeronaves. O controlador de tráfego aéreo Anthony Capaldi, que observou pessoalmente o objeto sobre Stormville no verão de 1983, observou ainda que aviões voando em uma formação tão cerrada teriam necessariamente produzido um ruído de motor perceptível — no entanto, a grande maioria das testemunhas insistia, ao contrário, no silêncio quase absoluto do aparelho, interrompido no máximo por um leve zumbido.
O sobrevoo da usina nuclear de Indian Point
O episódio que deu ao caso seu contorno mais inquietante ocorreu em 14 de junho e 24 de julho de 1984, quando várias testemunhas — entre elas, guardas de segurança da usina nuclear de Indian Point, na margem leste do Hudson — relataram um objeto estruturado e de grande porte que se deslocava lentamente ou permanecia parado nas imediações dos reatores. Um dos guardas de plantão estimou que o aparelho media cerca de trinta metros de comprimento e voava a menos de trezentos metros de altitude, comparando-o a vários helicópteros voando em formação extremamente cerrada. Para os que se inclinavam pela explicação extraordinária, a proximidade de uma instalação tão sensível quanto uma usina nuclear tornava bem menos convincente a hipótese dos pilotos brincalhões: poucos entusiastas de ultraleves, argumentava-se, se arriscariam a sobrevoar dessa forma uma instalação protegida.
Um fenômeno que ultrapassou amplamente Westchester
Segundo as estimativas da equipe de Hynek e Imbrogno, o objeto — ou os objetos — foram avistados por mais de cinco mil testemunhas entre 1982 e 1986, em uma área que ultrapassava amplamente o condado de Westchester: os relatos abrangem também os condados de Putnam e Dutchess, estendendo-se até o vizinho estado de Connecticut, incluindo New Haven e Brookfield. Os relatos apontam para uma trajetória preferencial ao longo do corredor formado pela Taconic Parkway, uma tendência marcada a sobrevoar corpos d'água, e um aparecimento exclusivamente noturno — nenhum relato confiável registra uma observação diurna.
O caso teve um notável ressurgimento midiático em 1992, quando o programa americano Unsolved Mysteries lhe dedicou uma reportagem. O programa conseguiu reunir um grupo de pilotos dispostos a reivindicar a autoria dos voos em formação — mas eles recuaram na hora de recriar publicamente a manobra em V que alegavam ter executado, alegando as infrações às normas de aviação civil que tal demonstração implicaria. O enigma, até hoje, permanece oficialmente sem solução.
Cronologia
31 de dezembro de 1982 — Primeiro avistamento registrado, em Kent, Nova York. 17 de março de 1983 — Avistamento do vice-xerife Dennis Sant perto de Brewster; trânsito interrompido na Interestadual 84. 24 de março de 1983 — Onda maior de avistamentos; central telefônica de Yorktown sobrecarregada; mais de trezentas ligações recebidas pela linha de investigação em uma única noite. 26 de março de 1983 — Publicação da matéria do Westchester-Rockland Daily Item; início da investigação de Hynek e Imbrogno. Verão de 1983 — Avistamento do controlador de tráfego aéreo Anthony Capaldi sobre Stormville. 14 de junho e 24 de julho de 1984 — Sobrevoos relatados perto da usina nuclear de Indian Point. 31 de outubro de 1984 — Detenção de um piloto no aeródromo de Stormville. 1992 — Exibição da reportagem do Unsolved Mysteries.
Documento de arquivo — depoimento coletado pelos investigadores (tradução)
«Se algo como uma cidade voadora existisse, era exatamente isso que o objeto parecia ser. Não havia ruído de motor algum, apenas aquele zumbido grave e quase contínuo. As luzes estavam dispostas em um V muito nítido, e o conjunto avançava com uma lentidão que não fazia sentido algum para uma aeronave daquele tamanho aparente.»
— Depoimento citado em Night Siege: The Hudson Valley UFO Sightings (Hynek, Imbrogno e Pratt), sobre os acontecimentos de 24 de março de 1983.