sábado, 4 de julho de 2026

Mais de 100 pessoas observaram um OVNI no oeste de Inglaterra em 1993

Passa pouco da uma da manhã do dia 31 de março de 1993 quando os telefones do Ministério da Defesa britânico começam a tocar sem parar. Em poucas horas, mais de uma centena de testemunhas espalhadas pelo oeste da Inglaterra — entre elas numerosos policiais e militares em serviço ativo — relatam ter visto objetos luminosos deslocando-se pelo céu noturno a uma velocidade impressionante. O caso, que ficaria conhecido nos anais como o "Incidente de Cosford", tornar-se-ia um dos dossiês ovni mais minuciosamente documentados já tratados pelas autoridades britânicas.

Foi Nick Pope, então responsável pelo "setor dos ovnis" (o conhecido Sec(AS)2a) dentro do Ministério da Defesa, quem herdou a investigação. Segundo o seu próprio relato,"os telefones não paravam de tocar"quando chegou à sua mesa na manhã do dia 31, com os relatórios da noite anterior já acumulados diante dele.

Sobre as colinas de Somerset, "como dois Concorde unidos"

O primeiro depoimento marcante vem das Quantock Hills, em Somerset, onde um policial que acompanhava um grupo de escoteiros descreve um objeto triangular deslizando pelo céu a grande velocidade. Sua descrição, hoje célebre, comparava a forma avistada a dois aviões supersônicos Concorde voando lado a lado, como se estivessem soldados um ao outro. Logo depois, novos relatos chegaram da Cornualha, de Devon e das West Midlands, desenhando uma onda de avistamentos que parecia varrer todo o sudoeste da Inglaterra em questão de poucas horas.

RAF Cosford: duas luzes brancas "em grande velocidade"

Foi justamente sobre a base aérea de RAF Cosford, em Shropshire, que ocorreu o avistamento que daria nome a todo o caso. Uma patrulha da polícia militar da RAF relatou ter visto passar, a uma altitude estimada de cerca de 300 metros, duas luzes de um branco cremoso acompanhadas de um leve brilho avermelhado na parte traseira. O relatório oficial da polícia aérea, classificado como "Police In Confidence" (confidencial policial), destacava a velocidade extrema do objeto e seu silêncio absoluto — duas características que, segundo as testemunhas, excluíam qualquer aeronave convencional conhecida.

RAF Shawbury: um feixe de luz que "parecia procurar algo"

Pouco mais de uma hora depois, foi a vez da base vizinha de RAF Shawbury tornar-se palco de uma observação ainda mais espetacular. O oficial meteorológico de plantão, a quem Nick Pope nunca identificou publicamente por respeito ao seu anonimato, descreveu um objeto do tamanho aproximado de um avião de transporte C-130 ou de um Boeing 747, deslocando-se lentamente — a não mais de 50 quilômetros por hora — em direção ao perímetro da base. A aeronave projetou então um feixe de luz semelhante a um laser, que varria o solo de um lado a outro como se "estivesse procurando algo". Ouvia-se ainda um zumbido grave e contínuo, quase tão perceptível ao tato quanto ao ouvido. De repente, a luz se apagou e o objeto se afastou a uma velocidade vertiginosa, deixando a testemunha — homem habituado a observar aeronaves militares — completamente desconcertado.

O radar permanece mudo, a Defesa se inquieta

É intrigante que nem RAF Shawbury nem RAF Cosford tenham conseguido detectar o menor eco de radar no momento dos avistamentos. Em seu relatório oficial dirigido aos superiores, Nick Pope chegou a escrever que um objeto não identificado, de origem desconhecida, parecia ter operado na região de defesa aérea do Reino Unido sem ser detectado, o que, em suas próprias palavras, revestia-se de importância considerável para a defesa, justificando uma investigação mais aprofundada. O Ministério chegou até a consultar oficialmente as forças armadas norte-americanas para saber se os aparelhos avistados pertenciam às suas próprias forças — um gesto pouco habitual, revelador da seriedade com que o assunto foi tratado nos bastidores.

A hipótese dos destroços espaciais: uma explicação que divide opiniões

Nem todas as explicações apontam, porém, para o extraordinário. Na noite de 30 de março de 1993, a Comunidade dos Estados Independentes — herdeira da URSS — havia colocado em órbita um satélite de rádio por meio de um foguete cujo estágio propulsor se desintegrou ao reentrar na atmosfera. As trajetórias calculadas por simulação computacional para a queda desses destroços coincidem, segundo alguns pesquisadores, com diversos relatos de "luzes brilhantes" registrados naquela mesma noite. Jenny Randles, figura de destaque da British UFO Research Association, chegou a sugerir que o depoimento do oficial meteorológico de Shawbury poderia ser explicado não por uma aeronave extraordinária, mas pela passagem de um helicóptero policial — possibilidade que a própria testemunha viria a considerar mais seriamente com o passar dos anos.

Um dossiê que, trinta anos depois, se recusa a fechar

Apesar dessas pistas mais prosaicas, o Incidente de Cosford continua a dividir pesquisadores e céticos por igual. O próprio Nick Pope tem sustentado, há décadas, que nenhuma explicação dá conta da totalidade dos depoimentos recolhidos naquela noite, em especial do feixe de luz e do zumbido descritos em Shawbury. Seus críticos, por sua vez, apontam incoerências na cronologia que ele apresentou ao longo dos anos, sobretudo o intervalo de mais de uma hora que separa os avistamentos de Cosford e Shawbury, difícil de conciliar com a ideia de uma mesma aeronave deslocando-se de uma base a outra. O Ministério da Defesa britânico tornou públicos, desde então, todos os dossiês relativos àquela noite de 30 para 31 de março de 1993, afastando-se de sua postura tradicional segundo a qual os ovnis não representavam "nenhum interesse para a defesa".

"Parece que um objeto não identificado, de origem desconhecida, esteve operando na região de defesa aérea do Reino Unido sem ser detectado por radar; isso pareceria revestir-se de importância considerável para a defesa, e recomendo que se aprofunde a investigação."
— Relatório de Nick Pope ao Ministério da Defesa, abril de 1993

Trecho traduzido do relatório da polícia aérea de RAF Cosford

"A patrulha observou duas luzes de um branco cremoso, acompanhadas de um leve brilho vermelho na parte traseira, que cruzaram o espaço aéreo da base em grande velocidade, a uma altitude estimada de cerca de 300 metros. Não se ouviu qualquer ruído de motor. Novas averiguações junto a outras bases militares, aeroportos civis e à polícia local revelaram diversos avistamentos civis condizentes na mesma região e durante o mesmo período."
— Relatório da polícia da RAF, classificado Police In Confidence, março de 1993 (tradução)

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Grok, CC0,
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